A masculinidade tóxica e suas vítimas

Role para baixo
Eu não poderia deixar de me expressar sobre o caso do homem que matou filhos e esposa e se matou supostamente devido à pressão de não poder mais sustentar e prover sua familia.

Esse tem sido o tema dos meus estudos nos últimos meses da minha vida. Há tempos eu venho mergulhada na busca do entendimento da origem e as consequências dos desequilíbrios entre as energias femininas e masculinas.

Li agora pouco na minha timeline um print de um tweet:

“Se a mulher fosse a chefe da familia, ela teria dado um jeito, ia vender Avon, ia vender pano de prato, ia se prostituir, mas não deixaria se acovardar pelo medo do fracasso”

Essa frase não poderia estar mais certa, mas infelizmente nos mostra o quanto ainda estamos presos no perigo da simplificação dos esteriótipos de gênero.

Provavelmente, a maioria das mulheres faria isso mesmo. Por que para a mulher, mesmo que de forma inconsciente, a relação é o que existe de mais importante. Mesmo que isso signifique, inclusive, um risco à sua integridade física.

Já para o homem, o maior medo que eles enfrentam é o medo do fracasso. Não ser aquilo que eles podem ser, viver aquém do seu potencial, viver uma meia vida. Esse é o fracasso masculino. E talvez, você que é mulher e está lendo isso, se incomode. Mas é assim que é. Energias femininas e masculinas se direcionam de formas diferentes e ambas, em equilíbrio, são importantes para criar ambientes que possibilitem o florescimento das pessoas.

E a régua do sucesso para a nossa sociedade está ficando cada vez mais alta, mais exigente, mais massacrante, mais distorcida. Isso faz com que o medo dos homens aumente, a um ponto que o medo do fracasso, qualquer fracasso, é tão grande que gera imobilismo, apatia e impotência.

E esse medo, apatia e impotência gera uma frustração terrível. Essa frustração pode levar à necessidade de colocar um fim nela ou pode levar à raiva. Quando se transforma em raiva, ela explode no mundo, de milhares de formas, como já estamos acostumados a ver.

Mas para podermos entendermos isso através da empatia, é preciso ir além dos que os olhos vêem, do que as notícias mostram, do que até muitas vezes, sentimos na própria pele.

Essa é a nossa realidade: Energia masculina anabolizada. Energia feminina anêmica.

Esse desequilíbrio trás consequências para todos. Nós mulheres sofremos com a supressão e a repressão do Patriarcado. Os homens sofrem com a cultura claustrofóbica e massacrante que exalta o provedor, o conquistador, o macho man. Aquele que não chora. Aquele que não tem medo. Aquele que não fracassa.

Um convite para quem quiser se aprofundar nessa questão é o excelente documentário “The mask you live in”, disponível no Netflix.

Masculinidade retratada do documentário “The mask you live in”

Mas não nos enganemos. Enquanto continuarmos a perpetuar esse ciclo destrutivo de desequilíbrio, continuaremos presos às suas consequências.

[Crédito da Foto: Frank Cordoba]

 

Co-fundadora, produtora de conteúdos e facilitadora sênior dos cursos e programas do Moporã. É especialista em desenvolvimento humano nos temas: propósito de vida, transformações culturais e empoderamento feminino. Também é uma buscadora do mundo interno e externo, viajante e nômade digital.

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