O primeiro passo para descobrir seu propósito de vida

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“Tenho 35 anos e não tenho a menor ideia do que fazer com a minha vida. Como encontrar meu propósito de vida se eu não sei por onde começar, que direção seguir?”

Essa pergunta é do Felipe, mas poderia ser da Ana, do Marcelo, da Gabriela e sua. Sem dúvida é uma das perguntas que mais recebemos quando o assunto é propósito de vida e um dos maiores motivos de angústia e frustração para quem está nessa busca.

Muitas pessoas sentem a urgência de viver uma vida que faça mais sentido. Elas querem um trabalho que seja intrinsecamente recompensador, uma atividade que seja merecedora do seu tempo e energia, querem sentir que não estão desperdiçando a sua vida.

Mas como fazer para descobrir meu propósito de vida se eu não sei o que quero? Por onde começar?

Primeiro passo
Propósito de Vida: Por onde começar?

O PROPÓSITO SURGE, A PRINCÍPIO, DO INTERESSE

O propósito não brota do nada. O nosso propósito de vida é um construto, ou seja, é o resultado de um processo de construção, formado por várias pecinhas que o compõe: sua história de vida, seu contexto, seus talentos e seus valores. Cada decisão que você toma fará com que esse propósito se molde e se adapte à realidade que você cria todos os dias. Não é algo determinístico. Não é fixo e imutável. E dependendo das suas escolhas, ele pode se revelar através de um caminho ou de outro.

Mas ele sempre se constrói a partir de um mesmo ponto de partida: o seu interesse por alguma atividade ou tema.

E aqui surge a primeira queixa das pessoas. “Eu não me interesso por nada” ou “eu me interesso por tudo”.

INVESTIGUE A SUA HISTÓRIA

Eu me considerava uma criança de poucos interesses. Claro que eu brincava, desenhava, pintava, e cantava. Mas nenhuma atividade em específico chamava minha atenção a ponto de eu, espontaneamente, dedicar tempo e energia a ela. Na escola não havia nada que me desagradava e nada que me entusiasmava.

De todas as atividades extracurriculares eu fiz apenas natação e detestava. Brincava de tudo um pouco e logo ficava entediada.

Considero que, durante a minha infância, tive uma experiência mediana em termos de incentivo à novas atividades, tanto em casa quanto na escola. Penso que faço parte da grande parcela de adultos que tiveram educações formais, pais com poucos recursos para investir em atividades extracurriculares e quase nenhum incentivo para explorar e desenvolver novos interesses.

Entrei na puberdade do mesmo jeito. Confesso que muitas vezes queria ser aquele cara que aprendeu a tocar violão ou aquela menina que fazia ginástica artística desde pequena. Passei pela adolescência achando que nada despertava meu interesse. Segui meu rumo. Entrei na faculdade, me formei e comecei a trabalhar.

Apenas anos mais tarde- quando eu estava iniciando a minha carreira corporativa na área de “Desenvolvimento humano”- que eu fui compreender a anatomia do interesse.

Na época, uma colega me perguntou com o que eu gostaria de trabalhar se não estivesse trabalhando com desenvolvimento. Lembro-me que a resposta surgiu, ainda que não específica, de forma muito intuitiva e com uma direção muito clara.

“Estaria trabalhando com qualquer coisa que envolvesse senso estético”, eu disse a ela.

“Por quê?” ela me perguntou.

“Porque desde pequena eu gosto de revelar a beleza das coisas”, eu respondi.

Há momentos em nossas vidas que experimentamos a deliciosa sensação de revelação vinda da nossa própria voz. Esse foi um momento desses.

Para uma pessoa que se considerava sem interesses, essa revelação foi muito importante, inclusive para que, anos mais tarde, eu pudesse me apropriar com força do meu propósito de vida. Esse insight foi a ponta do novelo de lã que me conduziu em um processo de resgate da minha história e do meu passado.

Foi a partir dessa conversa que eu percebi que sim, eu me interessava por algumas coisas.

Para a grande maioria das pessoas, incluindo eu, o interesse não surge de forma avassaladora. São poucas as pessoas que têm clareza do que realmente gostam. Porque o interesse, especialmente quando ele não é incentivado, manifesta-se sutilmente e muitas vezes de forma fragmentada, distribuído por várias atividades.

Na infância, eu passava horas montando as casinhas de bonecas, vestindo-as,  arrumando-as. Costurava suas roupinhas, arrumava seus cabelos. Encapava com capricho os cadernos da escola e organizava com carinho as canetas dentro do estojo. Mais tarde foi a vez de desenhar e criar bijuterias para vender e tirar uma graninha. Lembro-me do empenho em criar as mais belas bijuterias que eu podia. Depois veio o gosto por reformar móveis. Decoração. Moda (essa eu pensei seriamente em seguir carreira). Como estagiária era sempre elogiada pelas apresentações esteticamente bem feitas.

De uma forma ou de outra o interesse pela estética sempre se fez presente na minha vida.

Na adolescência cultivei outros interesses: o mundo oculto e depois o estudo da consciência. Com 12 anos eu li meu primeiro livro que falava sobre chakras, meditação e sonhos. Depois veio o interesse nas dimensões da consciência. E lá atrás, ainda na adolescência, comecei a perceber a vastidão da nossa dimensão interna e os benefícios que colhemos quando nos dedicamos ao autotrabalho. Claro que esse interesse se manifestava de forma imatura e eu não podia ao menos vislumbrar que isso se desdobraria de alguma forma no meu trabalho e no meu propósito. 

TODOS SE INTERESSAM POR ALGUMA COISA

O interesse é o impulso por aprender algo novo e esse impulso faz parte da nossa condição humana. Hoje você anda, fala e come sozinho, pois o bebê que você foi era movido por uma forte atração pela novidade. Se não fosse assim nós, seres humanos, não teríamos muitas chances de sobreviver.

O desejo de aprender coisas novas e de explorar o mundo é o nosso impulso básico. Por isso eu lhe asseguro que você tem alguns interesses, mesmo que não esteja tão consciente de quais são.

Essa falta de consciência tem várias origens. Pode acontecer pois muitos de nós não encontramos os incentivos necessários em casa e na escola para continuar a explorar nossos interesses e acabamos deixando de lado determinadas atividades. Muitas vezes fomos até desincentivados e desencorajados a fazer algo e internamente não conseguimos criar a clareza do que nos atraiu.

A falta de consciência também está atrelada a uma baixa autopercepção. Por mais que tivéssemos interesses em nossa infância e adolescência, não conseguimos perceber como eles se manifestavam e temos dificuldade de concatenar as atividades que nos atraiam – como foi o meu caso por um bom tempo.

Independente do quão claro ou não são os seus interesses para você, é importante que você saiba que você os tem. O seu grau de consciência sobre isso vai determinar o quão profundo deverá ser o seu processo de resgate do passado e de autoinvestigação.

NINGUÉM SE INTERESSA POR TUDO

Angela Lee Duckworth é pesquisadora e professora de Psicologia na Universidade da Pensilvânia e dentre suas pesquisas sobre o comportamento humano, ela também se dedica a estudar a psicologia do interesse.

Segundo Angela, ninguém se interessa por tudo. Há pessoas que gostam de cozinhar enquanto outras não têm o menor interesse. Algumas são atraídas por esportes enquanto outras não veem razão pela qual dedicar tempo a isso.

Isso acontece especialmente porque o interesse está diretamente ligado ao talento.

Segundo Marcus Buckingham, talento é qualquer padrão de pensamento recorrente, sensação ou comportamento que possa ser usado produtivamente. O talento está ligado com o prazer e com a facilidade em que eu tenho em me dedicar à determinada atividade. Por essa razão o interesse está associado ao talento: certamente é mais fácil eu me interessar por coisas que me dão prazer do que por coisas que me parecem chatas e tediosas.

Nossos talentos surgem na primeira infância e são fortalecidos nos anos seguintes, quando nossos caminhos neurais se cristalizam. Esses caminhos neurais determinam as coisas que fazemos com mais facilidade. Por essa razão não seremos talentosos em tudo, mas com certeza seremos talentosos em alguma coisa.

Isso explica por que não nos interessamos por tudo. Temos uma tendência a nos interessar por atividades que utilizam os nossos talentos.

Veja nesse Direto ao Ponto: Como descobrir nossos talentos?

A ARMADILHA DO MULTIPOTENCIAL

Hoje em dia tem se ouvido falar muito em multipotencial, pessoas cuja uma das principais caraterísticas é o gosto por muitos interesses distintos.

Em tese, todos nós somos multipotenciais, pois todos nós temos alguns talentos. Por isso podemos alimentar interesses variados e, dependendo do quanto de estímulo (interno e externo) encontramos para explorar o novo, podemos aumentar muito a nossa listinha de interesses.

Agora, por mais que você se reconheça como uma pessoa com múltiplos interesses, sugiro cautela com essa questão da multipotencialidade.

Em muitos casos a justificativa para afirmar ter muitos interesses é justamente porque você ainda não conseguiu encontrar um interesse que realmente faça uso dos seus talentos e mereça o investimento do seu tempo, energia e recursos.

O interesse é algo que te atrai e onde você sente uma vontade genuína de se envolver. Envolvimento tem a ver com aprofundamento, com uma vontade de conhecer e explorar cada vez mais aquele novo conhecimento. Se em pouco tempo você se entediou com determinado assunto ou atividade, há grandes chances daquilo não ser de fato um interesse seu.

Não há problema nenhum em cultivar vários hobbies, mas se estamos falando em buscar/criar um caminho que nos dê senso de propósito e o propósito nasce do interesse, mudar de ocupação e de atividade o tempo todo pode ser um problema bem sério.

Angela Duckworth diz em seu livro “Grit”: “A sensação de tédio depois de fazer alguma coisa durante muito tempo é natural. Mas embora seja comum as pessoas cansarem das coisas depois de algum tempo, isso não é inevitável. As pessoas mais determinadas e com propósito descobrem alguma coisa que gostam e desenvolvem aquele interesse, mas também aprendem a aprofundá-lo.”

E ela complementa o seu raciocínio com a afirmação de Paul Silvia, psicólogo de maior autoridade quando o assunto é interesse:

“A novidade para o iniciante chega de uma forma e, para o especialista de outra. Para o iniciante, a novidade é algo que ele nunca viu. Para o especialista, a novidade é o detalhe.”

Pense em duas pessoas que têm interesse em arte moderna. Uma dessas pessoas despertou há pouco tempo esse interesse. A outra cultiva o interesse por arte há muitos anos, é uma especialista. O novato precisa do conhecimento básico. Seu espectro capta pouca complexidade, ele vê apenas cores e formas. Já o especialista atingiu níveis maiores de complexidade a respeito do entendimento da arte e adquiriu uma sensibilidade para os detalhes que o novato ainda não tem.

Ficar pulando de interesse em interesse fará com que você nunca ganhe intimidade e profundidade com determinada atividade ou assunto, minando as possibilidades de você atribuir um sentido e significado ao que você faz.

Se você se reconhece com múltiplos interesses e deseja evoluir algum (ou alguns) dele(s) para um propósito, saiba que será necessário aprofundá-los e aperfeiçoá-los e para isso acontecer é necessário reduzir o seu leque de opções.

Aperfeiçoamento requer prática e prática requer tempo e isso não é algo que dispomos ilimitadamente. Por isso, dentre todos os seus interesses, escolha a sua paixão.

DO INTERESSE À PAIXÃO

Relutei muito em usar essa palavra nesse texto. Normalmente quando ouvimos a palavra paixão automaticamente associamos a algo avassalador, que acontece subitamente e nos provoca reações intensas de contentamento e euforia.

Pelo menos para esse contexto, por favor, esqueça essa imagem e desapegue de suas expectativas.

Para 99% das pessoas, um interesse não vai se apresentar na sua vida com tal intensidade e pode demorar um certo tempo até que você desenvolva uma relação apaixonada por alguma atividade. O primeiro encontro que temos com um interesse que pode vir a se tornar uma paixão normalmente é muito menos excitante e eufórico.

A paixão nesse caso é o interesse que ficou em primeiro lugar no seu ranking. É aquele que, entre todos os outros, recebe mais da sua atenção, tempo e energia. É aquele tema ou atividade que te atrai- muitas vezes sem que você consiga perceber- e você só consegue se dar conta porque já é 01:00 da manhã e você ainda não foi dormir pois está lendo sobre o assunto.

Segundo a Angela Lee, “a paixão pelo trabalho tem um pouco de descoberta, seguida de muito desenvolvimento e uma vida inteira de aprofundamento.

Para que uma paixão realmente se torne uma paixão, é preciso dedicar-se a ela e comprometer-se verdadeiramente em praticá-la.

Como a paixão nasce do interesse, não existe uma única coisa que pode se tornar a sua paixão. Há muitas. Não procure pelo interesse certo ou o melhor. Se você for esperar ter certeza absoluta para saber se vale a pena investir naquele interesse, você chegará ao fim da vida provavelmente ainda sem ter certeza.

Escolha aquele interesse que lhe parece ser uma orientação razoável, aquele ao qual você dedica seu tempo deliberadamente. Aquele que faz uso dos seus talentos. Aquele que está alinhado aos seus valores.

Dedique um tempo para encontrar o seu foco. Mas, uma vez que encontrá-lo, defina a sua direção e vá em frente sem ziguezaguear.

PARA QUE A PAIXÃO SE TRANSMUTE EM PROPÓSITO É NECESSÁRIO PRATICAR

O propósito é a paixão amadurecida. O amadurecimento da paixão é o que lhe dá sentido. E para que a paixão possa amadurecer, é necessário prática e isso significa tempo de dedicação e envolvimento consciente.

Na minha vida, por alguma razão, dois interesses me acompanharam. O gosto pela estética e o estudo da consciência e desenvolvimento humano. De forma intuitiva e orgânica, eu nutri o gosto por estudar, praticar e aperfeiçoar o trabalho de expansão da consciência.

Nem de longe foi uma paixão arrebatadora, mas foi algo que eu cultivei com carinho e consistência-embora durante um bom tempo eu nem me desse conta de que isso era um interesse meu.

Mesmo diante das crenças, dos medos e das determinações parentais e culturais que me fizeram optar por uma graduação que quase não tinha nenhuma relação com o meu interesse (minha graduação foi em Administração de empresas), inconscientemente consegui direcionar minha carreira para trabalhar com desenvolvimento de pessoas.

E foi na prática do meu trabalho que o meu propósito foi se revelando. E aos poucos eu fui dando forma a ele, moldando a minha realidade para se adequar ao significado que eu dou a ele. Sair do mundo corporativo para empreender é um dos exemplos disso.

Quando a paixão amadurece, você se dá conta que aquele determinado assunto tem um sentido para você, pois você atribuiu um sentido a ele. A prática e o consequente amadurecimento de um interesse fazem com que você amplie a sua sensibilidade e compreensão sobre o tema, experimentando diversos níveis de profundidade e dando àquela prática um sentido maior e mais significativo.

Você começa a ver aquilo com outros olhos. É como a fábula dos pedreiros que diz o seguinte:

Perguntaram a três pedreiros: “O que vocês estão fazendo?”

O primeiro responde: “Estou assentando tijolos.”

O segundo responde: “Estou construindo uma igreja.”

O terceiro responde: “Estou construindo a casa de Deus.”

Um enólogo pode acreditar ele que produz vinhos ou que ele desperta o paladar das pessoas.

Um professor pode acreditar que dá aulas ou que ele cria um contexto para florescimento dos seus alunos.

No fundo, o propósito é fruto do sentido que damos à alguma atividade que escolhemos exercer. A questão é que essa atividade precisa ser realmente escolhida por nós. Se alguém fez essa escolha pela gente ou se nossas escolhas foram baseadas no medo, dificilmente encontraremos um significado nela.

Aquele interesse que se mostrou como sendo o mais importante para nós pode se transformar em nossa paixão. Para a paixão amadurecer é necessário prática. O amadurecimento de uma paixão dá sentido ao que fazemos.

O PROPÓSITO É COMO UM DIAMANTE QUE VOCÊ VAI POLINDO E LAPIDANDO PELO RESTO DA SUA VIDA

Definir um propósito não significa passar a vida inteira fazendo a mesma coisa. O meu propósito é:  “provocar e apoiar pessoas para o seu desenvolvimento evolutivo”, que é nutrido pelo meu interesse pelo autoconhecimento.

Existem diversos jeitos de materializar esse propósito. Hoje eu escolhi fazê-lo através do Moporã. Mas eu já trabalhei em empresas e quem sabe daqui um tempo estarei vivendo-o de outra forma.

Quanto mais intimidade você estabelecer com o seu propósito, mais criativo você se torna ao pensar em possibilidades para materializá-lo, utilizando dos seus talentos e habilidades e adequando-o ao seu contexto e ao seu momento de vida.

O SEU PROPÓSITO PODE SE REVELAR UM OU OUTRO. O QUE VAI DETERMINAR ISSO É O TEMPO DE PRÁTICA QUE VOCÊ INVESTE EM UM DETERMINADO INTERESSE

Poderia eu ter me tornado estilista? Decoradora? Designer de interiores? Talvez. Analisando meus interesses, tudo indica que sim.

Poderia eu encontrar propósito nessas atividades? Possivelmente.

Eu realmente acredito que um propósito de vida pode se revelar por diversos caminhos. Para mim essa história de que a nossa missão é pré-determinada, única e imutável, não cola.

Minhas escolhas, meu contexto, minhas relações e minha história me levaram por caminhos onde o autoconhecimento se tornou meu trabalho e meu propósito e eu abracei essa missão com amor e comprometimento.

Acho perda de tempo ficar pensando “e se” … e se eu tivesse feito outra faculdade?… e se eu tivesse ouvido tal pessoa?… e se eu tivesse tomado outras decisões? Seria eu mais feliz se tivesse seguido outra trajetória? Não importa, porque não tem como eu saber! A vida não é um rascunho que dá para passar a limpo depois. O que importa é que eu sou feliz com o caminho que eu escolhi e no qual eu decidi me aperfeiçoar.

Não se apegue à ideia de que há apenas um caminho. Há vários possíveis caminhos que te conduzirão para uma atividade com sentido.

Nunca é tarde demais para começar a cultivar a noção de propósito. Comece hoje e comece do começo. Todas as respostas já estão em você.

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Uma curiosidade: independente de não ter seguido o caminho da moda, da decoração ou do design, revelar a beleza continua fazendo parte da minha vida. Moporã em tupi guarani significa “tornar belo” e a nossa missão é “revelar a beleza oculta que todos nós temos”.

[Crédito da Foto: Ruben Bagues]

 

Co-fundadora, produtora de conteúdos e facilitadora sênior dos cursos e programas do Moporã. É especialista em desenvolvimento humano nos temas: propósito de vida, transformações culturais e empoderamento feminino. Também é uma buscadora do mundo interno e externo, viajante e nômade digital.

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