Empatia não se enfia goela abaixo. Empatia se aprende

Empatia não se enfia goela abaixo. Empatia se aprende
26 de agosto de 2016 Larissa Mungai

É galera, a coisa não tá bacana.

Se por um lado, estamos engajados como nunca na defesa de causas que são mais do que urgentes, por outro lado, os instrumentos que estamos usando para lutarmos e nos posicionarmos estão no colocando numa rota muito perigosa e acelerada de segregação e destruição.

Vergonha, culpa, humilhação e linchamento estão virando lugar comum. Não tem um dia que eu entre na redes sociais e que eu não me depare com uma avalanche de postagens cheias de ódio disfarçadas de engajamento social.

Tem um ditado em inglês que diz o seguinte: “Misery loves company”. Tristeza ama companhia. E não apenas tristeza, mas o ódio e o medo também. Ó ódio e o medo unem. E unem muito rápido. O Hater é sempre o outro. Nunca achamos que há ódio dentro de nós. Mas ele está lá e se não for assumido e reconhecido encontra facinho uma válvula de escape no apoio ao primeiro mártir que toca em alguma questão nossa.

Eu to falando que devemos deixar para lá quando uma das maiores agências de publicidade do país não põe a mão na cabeça por um segundo antes de fazer uma campanha? Ou que devemos relevar ações que esqueçam de levar em conta a representatividade da nossa diversidade enquanto humanidade? Que devemos ignorar a homofobia, a gordofobia, o racismo, o machismo?

Não gente, mil vezes não! Mas apontar dedos, buscar culpados e usar de vergonha e humilhação para tentar mostrar que nós estamos certos e eles errados, apenas reforça esse ciclo destrutivo de separação e segregação.

Eu acredito na revolução pelo amor. E apenas pelo amor. E por favor, quando eu digo amor, não romantize. Eu não acho que o mundo é cor de rosa e que devemos afagar a cabeça de quem não coloca a mão nela por um segundo antes de fazer uma peça publicitária preconceituosa. Ou que devemos ignorar aqueles que simplesmente esquecem ou fingem esquecer que há milhares de pessoas que não estão sendo representadas.

Quando eu falo em amor, eu falo em atitudes construtivas. O amor ensina. Apontar dedos, buscar culpados, humilhar e envergonhar apenas gera ódio. E ódio gera mais ódio e separação. Nós e eles. Os bons e os maus. Os engajados e os preconceituosos. Os certos e os errados.

Empatia não se enfia goela abaixo. Empatia se aprende. E só se aprende através de uma educação amorosa e libertadora. Paulo Freire já nos alertou, quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor. E é por isso, e apenas por isso, se queremos que o mundo mude de verdade, precisamos fazer diferente.

Aponte. Ensine. Eduque. Mostre que dá para fazer diferente de tudo o que já fizemos até aqui.

Se o seu olhar pode ir além, se hoje você consegue perceber que inúmeras atitudes, que antes eram tidas como normais, são na verdade bizarras, é sua responsabilidade como ser humano puxar essa cordinha para cima. Dar uma mãozinha no processo de evolução da consciência e de evolução da humanidade. Mas se estamos falando de consciência e evolução, você acha mesmo, de verdade, que é usando a culpa, o julgamento a vergonha e a humilhação que vamos virar esse jogo?

Nessas horas em que meu coração se desespera deixo que ele se inunde com a imagem da personificação da compaixão e força:

“Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar”. Nelson Mandela.

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