Livre Arbítrio: Você tem?

Livre Arbítrio: Você tem?
6 de dezembro de 2016 Bruno Hohl
Quando falamos de empoderamento talvez a palavra mais forte que venha à mente seja: independência. E independência requer que tomemos decisões por nós mesmos. E tomar decisões é a expressão do seu livre arbítrio, da sua autoresponsabilidade e autodeterminação.

Mas afinal, o que de fato é livre-arbítrio?

Pense no livre arbítrio como uma régua, uma escala e não como algo binário – tem ou não tem. Não funciona assim. Imagine que o livre arbítrio é como uma escala, uma régua que vai de 0 a 100. Zero é sem livre arbítrio e 100 é livre arbítrio total.

O livre-arbítrio não é algo dado, mas sim conquistado, construído a partir do nosso autoconhecimento e descondicionamento das nossas programações parentais, sociais e das nossas crenças limitantes.

Vamos, ao longo da nossa vida, se nos dedicarmos ao autotrabalho, conquistando o nosso livre-arbítrio, tomando decisões mais conscientes, vivendo a liberdade e autoresponsabilidade, nos tornando empoderados do nosso destino e decisões.

Na escala do livre arbítrio, o zero é o condicionamento total, a vida que você comprou de fora, as crenças que vem da sua família, da sua cultura e da mídia. O zero é você no banco de passageiro do seu próprio avião. Você acha que está no controle, você acha que está tomando decisões e tendo livre-arbítrio, mas isso não é verdade. Você está dormindo no banco do passageiro sonhando que está pilotando o avião. Você está na ilusão, sendo levado por todas as crenças que você comprou sobre quem você é.

Lá do outro lado, no 100 da escala, aí sim, você está no banco do piloto do seu avião. Você está decidindo para onde levar o seu avião e assume a responsabilidade por isso. Você sabe quem é, não há medo.

De forma alguma estar no 100 torna a vida menos incerta do que ela é. O mundo continua o mesmo, e a incerteza continua fazendo parte. Mas você está diferente, livre, consciente e isso faz toda a diferença na sua experiência nesse mundo mundo.

O mundo continua o mesmo, mas o seu olhar e troca com ele é completamente diferente.

E esse é um trabalho para a vida toda! A vida toda vamos caminhando para o 100 da escala e isso trás muita qualidade de vida, prazer e significado para a nossa experiência aqui.

Esse é o despertar da consciência.

E nesse processo de despertar devemos ter em mente 3 coisas muito importantes.

Primeiro: O autotrabalho constante, que você deve continuar para o resto da sua vida – como uma atividade esportiva ou um hobby.

Segundo: tomar decisões reais.

E terceiro: paciência.

Vamos falar sobre tomar decisões reais: Quando fazemos o trabalho de autoconhecimento estamos fazendo um trabalho interno, uma apropriação de quem somos de verdade, mas esse processo fica incompleto e pior, retrocede se não expressamos essa apropriação no mundo.

É como ter uma semente nas mãos e não plantar! Ela nunca vai deixar de ser semente.

O ciclo do autoconhecimento só se torna real e trás benefícios para a nossa vida se plantarmos essa semente no mundo. Através de decisões. De ação.

Senão você corre o risco de cair na armadilha das buscadoras de frases inspiracionais. Sempre na busca de inspiração e zero ação.

É preciso materializar, expressar a sua essência, passo a passo, a cada descoberta.

Mas isso requer o entendimento do terceiro fator: paciência!

Em dois sentidos: paciência para saber que a matéria é muito mais lenta que a mente ou a alma. Na sua cabeça, no seu interior já está tudo pronto.

Mas perceba que o pensamento cria instantaneamente, já na matéria entra o fator tempo. Na mente não existe tempo, mas na matéria existe.

E muitas pessoas se perdem aqui pois elas pensam: “agora que eu tenho mais clareza, mais entendimento sobre quem eu sou, sobre o que eu quero na minha vida. Tudo vai mudar agora! Hoje!”

E nessa empolgação elas se frustram quando se chocam com o mundo real, que continua o mesmo. Ela está transformada mas o mundo não liga pra isso.

Pense o seguinte: É com construir uma casa. Você faz um projeto, a planta da casa e na planta a casa está pronta. Você vê todos os cômodos, moveis, texturas e cores.

A sua mente percebe e já vive a sua nova realidade interna.

Mas no mundo real a casa ainda não existe. Vai demorar alguns bons meses de muito trabalho, dedicação, resolver pepinos até que a casa esteja construída e expressa no mundo material.

E não tem como fugir desse processo, mas ele também é prazeroso pois você tem a visão e a determinação da sua nova realidade e você pode curtir o processo criativo de expressar essa visão no mundo.

Então paciência é fundamental e na nossa sociedade instantânea de hoje, que quer tudo pra ontem, nós percebemos no nosso trabalho que esse é um desafio que se apresenta muito forte para a nossa geração.

E o segundo entendimento importante sobre paciência é saber que essa jornada na escala de 0 a 100 acontece de forma gradual e passo-a-passo.

Degrau a degrau. Somente depois que fizermos um ciclo de apropriação da nossa essência e expressão no mundo, somente depois de consolidarmos um ciclo, é que estamos prontas e abertas para mais um novo ciclo de apropriação e expressão.

E essa roda vai girando na medida que nós colocamos energia e consciência nela.

Ela não roda sozinha, ninguém vai rodá-la por você e ela vai rodar de acordo com energia que você colocar para ela girar.

Se você não coloca energia ela simplesmente não roda, se coloca demais você pode se estressar e cansar, por isso volto a falar do primeiro ponto:

Autotrabalho constante, em ritmo de caminhada para poder curtir a paisagem.

Afinal de contas temos a vida inteira para curtir a vida e seus mistérios!

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