Quer ser Coach? Então, pelo seu bem e da profissão leia esse texto.

Quer ser Coach? Então, pelo seu bem e da profissão leia esse texto.
12 de fevereiro de 2016 Larissa Mungai

“Você acha que eu deveria fazer uma formação em Coaching?”

Alunos, seguidores, pessoas que estão fazendo transições de carreira…eles querem saber de mim se podem vislumbram no Coaching uma possibilidade de carreira feliz e próspera. Às vezes a pergunta vem em outro formato como “O que você acha sobre Coaching?” ou “Me conta sua opinião sobre o Coaching. Perguntinhas capciosas sobre um assunto que hoje está em alta.  

Como quase sempre essa pergunta chega de forma virtual, me imagino segurando a mão da pessoa e respondendo “Você tem um tempinho? Porque de mim você não terá como resposta um “sim” ou um “não, mas um relato sincero do que eu penso sobre o Coaching. Quem sabe isso te dê insumos para a sua tomada de decisão”.

Então senta que la vem história. 

Antes de mais nada, é importante compreender o que a palavra Coach significa. “Coach” em inglês é treinador. Dessa forma um Coach é profissional que auxilia seus clientes a aumentar a sua performance em alguma área específica da vida. Pode ser um Coach de esportes, um Coach de carreira, um Coach de moda (conhecido como personal stylist), um Coach de saúde e bem estar, um Coach de desenvolvimento pessoal, etc.

Eu já conhecia a profissão, mas tive o meu primeiro contato com um Coach de verdade há 8 anos atrás. Eu estava na Natura e trabalhava em um projeto chamado “Engajamento”. O “Engajamento” era um processo pelo qual o colaborador passava para identificar o seu propósito de vida e analisar o alinhamento entre o seu propósito e o da empresa.

Todo esse processo era conduzido por um time de Coachs e eu, por estar trabalhando no projeto, conheci, tomei café e ouvi muitas histórias daquelas pessoas. Dentre todos os presentes que a Natura me deu, conhece-los talvez tenha sido um dos mais importantes e significativos. 

Todos aqueles profissionais, além da extrema competência, tinham algo em comum: O alto senso de conhecimento sobre eles mesmos. Era essa a característica que os possibilitava guiar, com maestria, outras pessoas nessa mesma busca por respostas acerca de si mesmas e de suas carreiras. Eles sabiam onde estavam em seus processos pessoais e por conta disso, eles sabiam até onde eles podiam guiar e orientar seus clientes.

Muitos deles se tornaram meus heróis. Verdadeiros mentores que foram extremamente importantes para mim, me inspirando em todos os sentidos, me incomodando a respeito da forma que eu estava levando a minha vida e me mostrando que as respostas para as minhas perguntas estavam todas espalhadas no caminho de volta para a casa. 

Afirmo inclusive, que pessoa e a profissional que eu sou hoje se deve em grande parte à eles e que o Moporã também é resultado de cada conversa inspiradora e das provocações que eu tinha que digerir durante um almoço despretensioso. E não eram as técnicas, a metodologia, ou as perguntas que eles faziam que me inspiravam e provocavam. Eram eles, apenas, a presença de alguém que inspira, porque quem falava por eles eram suas almas.

Eles criaram a minha concepção do que é ser um Coach. Um servo de sua alma. E aí meus caros amigos, a minha régua ficou bem alta.

Com o advento das profissões que pregam o fazer o que ama e a liberdade de horários, o Coaching ganhou espaço na roda e isso se tornou algo bem perigoso. O Coaching vem sendo estigmatizado por uma ilusão de que é uma profissão fácil e de dinheiro rápido. Muitos profissionais despreparados entram a todo momento no mercado. Trivializar o Coaching reduz potencialmente a importância da profissão e faz um convite à mediocridade. Isso acaba descendo a régua do mercado.

Um verdadeiro profissional de Coaching deve apresentar ao cliente novos olhares, a partir da sua experiência, para que o seu Coachee possa chegar à solução de seus problemas e inquietações. O Coach não é um opinante profissional, ele deve oferecer uma nova perspectiva ao coachee, levá-lo à um novo patamar de compressão, para que ele possa, por si só, tomar as decisões de forma mais clara e consciente e assim escolher novos caminhos para a sua vida.

E para que o Coach possa fazer isso, ele deve estar 110% conectado ao seu próprio processo e absolutamente comprometido com o seu próprio desenvolvimento.

Compete à qualquer tipo ao Coach saber onde ele está, até onde ele pode levar o seu cliente e apenas levá-lo à caminhos aos quais ele está familiarizado. A mera compreensão da teoria não é suficiente: Você precisa ter feito a viagem para poder ser o guia de alguém.

Um Coach com C maiúsculo deve ser um servo da sua própria alma, ser o tempo inteiro a sua própria cobaia e tolerar bem o desconforto dos processos de evolução e desenvolvimento pessoal, pois ele estará constantemente passando por eles.

Por isso, se você pensa em ser Coach pois tem o interesse, mesmo que verdadeiro, de ajudar outras pessoas, guarde bem essa frase dura que eu vou lhe dizer: Antes do seu interesse em ajudar os outros deve vir o interesse genuíno e o comprometimento com o seu próprio processo de autoconhecimento.

Então, para cada pergunta “Você acha que eu deveria fazer uma formação em Coaching?” eu só posso responder com outra pergunta:

“Você está disposto, de verdade, a se tornar um servo da sua alma?”

Se lá dentro do seu coração a resposta for sim, vá fundo!

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